domingo, 16 de abril de 2006

Noite cão


Esquece minha última mensagem, minhas flores, meus telefonemas, as palavras mal escritas, todas as letras do meu nome, era mesmo tudo confusão, eu nem sei porque insisti com você, afinal você estava no seu canto, a salvo do mundo com um marido do lado e três filhos pra criar, e depois aquele beijo, o motel, aconteceu porque tinha que acontecer, embora você tenha essa insistência infantil em dizer que não é gay, que você não gosta de mulher, em rotular tudo, rótulo cai bem em garrafa, discurso vagabundo esse, e de vagabunda me basto, fico eu aqui me masturbando com você na minha cabeça, no meu chuveiro, atrás da porta e você aí deitadinha com o maridão, ameba inóspita, é a merda, a mais pura merda isso tudo, eu Diana Caçadora, dando a bunda e sangrando sozinha. E a carta pelo correio, foi covardia, pura covardia, linda covardia de tão bem escrita, todas as vírgulas, pontos, letras e palavras dispostas ao acaso, um desarrumado todo arrumado que aumentou meu frio na barriga, minha vontade, meu desejo e saí pra rua nessa noite, sem eira nem beira, caçando mesmo, te caçando em outras, bicho machucado na noite, e bebi todas as vontades, as faltas, tudo que não tive, e te bebi amarga também, e arrebentei a porta da tua casa, e te mostrei o caminho da rua, as avenidas e suas bifurcações, e meti a língua na tua boca casta, no teu peito morto de tanto descaso, chafurdei contigo uma noite inteira e acordei ressaca.

5 comentários:

Mauro Cassane disse...

é isso mesmo naomi, isso mesmo. a loucura e o tesão da paixão exacerbada e insana, a putice diante do medo de se deixar livre e uma verdadeira ode à liberdade libertina que a vida tanto pede e clama e tudo mais e todos têm tanto medo de simplemente deixar rolar....isso mesmo mocinha, tu sentes como escreve, fodes como beija e isso é o que gosto de ver na literatura que vem do ventre sujo e ferido e fodido. Du caralho, minha amiga das letras...enfim achei alguém que posso ler sem ter que torcer o nariz de tédio.

Anônimo disse...

bom, MUITO BOM...

Glória disse...

Ê, menina, tá na hora de sair da virtuosidade virtual e passar a habitar o mundo do papel,esse lugar tão magestoso da palavra impressa . fico imaginando teu livro, as imagens, o papel, o contato físico com a palavra.

Anônimo disse...

OI Naomi...

Muito bom como sempre...

Até eu fiquei com raiva dela, vontade de mandá-la pro espaço!

E a Diana lhe inspirou, né?

Beijos...

tete bezerra disse...

lindo lindo.lembra muito márcia desnser,pelo visto gosta dela.é isso criança, a paixão sem rota,sem destino.viver é mesmo sangrar....