sábado, 29 de abril de 2006

Poncho no inverno


Foi andando pela praça, olhando pro lado, e encostando sem querer a mão na minha, frio de inverno danado, eu até entendi, precisava esquentar os dedos, as extremidades são sempre as partes mais frias, o nariz, os pés, as mãos, o dedo no dedo, aí senti a palma da mão macia, colada na minha por debaixo do poncho, eram férias, e nas férias sempre visto o poncho, em geral vem sem mão, mas até que estava preferindo este novo com mão acoplada, continuei olhando pra frente, mas com a mão firme na mão, não largava de jeito nenhum, as bromélias estavam lindas, comentei olhando pro banco da praça, olhando sempre pra frente, nem resposta ouvi, senti num impulso o braço me roçando a cintura, agora era um poncho duplo embrulhando pessoas, corei, esquentei de uma só vez, o corpo todo, a perna bambeou, o braço estremeceu, a vulva íntima, nem digo, acelerei o passo na direção do banco, era eu agora que conduzia o braço, a cintura e o frio, este pra bem longe, sentei olhando pra frente, feito cavalo na baia, nem perguntei nem nada, virei pro lado de olhos bem fechados e tasquei um beijo na boca, roubado, nervoso, abri os olhos e só então me surpreendi com a beleza da moça.

2 comentários:

Anônimo disse...

Onde compro um poncho?????

Essa Diana, sempre caçadora!

xiclet disse...

eheheh..
se é por encomenda traga + 1.. :P