quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Filhas


Satisfeita! Não de barriga cheia, como dizem os bebês. Depois, um peido retumbante surpreendeu a todos, e Larissa correu em volta da mesa procurando pela mão amarela. Sua mãe sorriu sem graça entre gargalhadas alheias. Que noite! Fazia quinze dias havia combinado: não esqueça que na sexta feira do dia treze ela dorme na sua casa. Está acertado! De última hora uma viagem de trabalho, e agora Larissa desinibida troteava no contorno da mesa verificando uma a uma as palmas das mãos. Levantou-se da mesa para buscar a torta sobre a pia da cozinha coberta por uma calda de chocolate espessa e aveludada. A convidada, especificamente para este jantar pelos amigos, levantou-se no seu encalço no intuito de ajudar, com o preciso interesse em alguns segundos de intimidade. Larissa correu entre as pernas da mãe e com um enorme sorriso possessivo encarou a estranha. Num pestanejar, entre três pares de mãos distribuíram-se guardanapos, pratos, colheres e torta. Elogios vieram dos quatro cantos, e da convidada um gracejo demorado. Por debaixo da mesa sucedia um concurso imaginário de sapatos de única jurada. Larissa, venha logo comer a sobremesa. A água sobre o fogão fumegava avisando que era hora do café, e numa segunda vez a dupla de outrora deslizou furtivamente à cozinha. Por alguns instantes os olhares na cozinha aguardaram a chegada da onipresente Larissa. Os ouvidos atentos perscrutavam um som diferente e, na infinda indecisão, prepararam mudas o café. Larissa, aconchegada no tapete embaixo da mesa, dormia já o seu quinto sono. Num olhar cúmplice mãe e convidada suspiraram de tranqüilidade.

2 comentários:

Anônimo disse...

E se te pego na esquina para o chopinho?

Affonso disse...

parabéns pelo blog, muito interessante...