Acordei antiga, coisa do vento de outono entrando pela fresta da janela, me traz ares de infância, embora o frio geográfico de agora esteja minimizado. Antes, saía da cama feita com três cobertores e vestia, sobre o pijama, a calça jeans, o pulôver tricotado a mão e um casaco mais sobre tudo isso. O frio de dentro concorria com o frio de fora, as paredes de alvenaria guardavam o frio por dias, a amplidão do pé direito deixava circular o minuano por qualquer fresta. Descia pela manhã as escadas de degraus altos e corrimãos de madeira até a cozinha, porta fechada. Lá dentro o calor de um fogão a lenha desde cedo fumegando, passara a muito a hora do primeiro chimarrão. Às vezes, escondido, vinha um gato dormir aconchegado embaixo do fogão de puro ferro. Na chapa quente do fogão aquecia uma torrada feita com manteiga, queijo e presunto, apertada com força por uma tampa de panela por alguns minutos, saía crocante, cheirosa. Ensaiava com a torrada uma xícara de café em frente ao fogo, sentada numa cadeira e com os pés dispostos em frente a tampa aberta do forno. Depois, finalizando as manhãs de outono, vinham os pinhões assados sobre a chapa acompanhados do chimarrão pré-almoço.