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sábado, 27 de março de 2010

Tudo é possível


Ela caminha pela calçada lentamente na direção de Alice, mesmo tendo reconhecido-a faz alguns instantes os passos nem aceleram nem cadenciam, o coração talvez de um sinal distante de palpitação. Vem trajada com saia e blusa coloridas com alusão ao verão ensolarado, e havaianas como pede uma cidade cerceada pelo mar e montanhas. Olham-se, cumprimentam-se e se põem a nossa disposição para detalharmos o encontro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Verão (-2)


Olhava incrédula para ela fumando um cigarro. O rosto emoldurado pela fumaça. O quarto de paredes de madeira pintado de branco. Um descascado aqui, outro acolá, a janela de vidros largos por onde entrava o frescor da maresia. Ela, que nunca vira com um cigarro entre os dedos, fumava. Ela que há muito, muito pouco tempo, era apenas uma amiga. Os cabelos longos cacheados sobre os ombros, os seios fartos, de uma nudez de naturalidade quase indecente. Os olhos serenos do amor consumado. Então era isso, será que era mesmo isso o que se denominava amor? O sangue acelerava pelas veias, o coração palpitava se ela a encarasse nos olhos. Na falta de um gesto pequeno que fosse, levantou-se em direção ao banheiro. No caminho, um gato dormia sobre um par de havaianas.