sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Olho nos olhos


Li sobre um olho no vento, um furo na mão e me surpreendi foi com a velha gorda, seca de sol, seca de vida, no meio da rua na descida da curva. Era o efeito do bolo, me disseram pra não comer a segunda fatia, mas êta bolo bom, bolo verde feito comida de vaca, comi a primeira e a segunda e agora tem a velha no caminho, com ou sem furo na mão, furo na boca de dente ausente, se riem de mim ela e a boca, se riem de nós, a luz ilumina o branco novo na velha, um branco sujo de terra tirada do olho, o olho tirado do vento, o olho de nós. As rodas na ladeira à vinte por hora, a boca escancarada de luz, a boca me olha e abocanha um olho no vento da passagem, pela janela respondo espantada ao aceno distante do buraco na mão.

Um comentário:

geraldo disse...

bolo de limão...
ácido-doce..assim como suas palavras!!
Adorei!!
bju