quarta-feira, 19 de março de 2008

Feriado


Marcos entrou no quarto, num primeiro momento não compreendeu a mancha escura por debaixo da cama, o líquido pegajoso escorria perto do pé da cama e molhava a ponta da colcha, vinha lentamente em sua direção, talvez apenas na direção da porta. Joana dormia de boca aberta estirada na diagonal da cama king size sobre um colchonete velho, da boca descia pelo canto direito uma baba branca em direção ao travesseiro. Dormia de bruços com a camisola amarela, as pernas à mostra e o tecido amarfanhado perto da bunda. Logo na chegada fizeram uma trilha de vinte e dois quilômetros comemorando o início das férias no dia anterior, beberam uma garrafa e meia de vinho antes de dormir por volta das dez horas da noite, o fogo em algumas brasas na lareira ainda brilhava, saltitavam fagulhas sobre a placa de metal e iam parar sobre o tapete de estopa. A cabana ficava afastada da cidade de Murició noventa e oito quilômetros feitos em hora e meia num carro convencional por estrada de terra em bom estado, pista dupla recém passado o trator. Alugaram por um mês com direito à vista das montanhas pedregosas enfeitadas com gigantescos pinheiros, muitos metros afastados uns dos outros perto das raízes e se encontrando no alto das copas, no chão grimpas espinhosas cobriam a terra. Caminharam pela trilha encontrando no caminho fumaça distante saída da chaminé de outra cabana, na varanda balançava sobre uma cadeira de madeira um homem robusto que entrou na casa assim que eles intencionaram ir naquela direção. Caminhavam fazia duas horas sem uma garrafa de água e, apesar do frescor da temperatura já sentiam o suor escorrer por dentro da camisa. Insistiram na direção da cabana, pularam a cerca de pedras e enveredaram pelo campo limpo com algumas vacas no pasto, vez ou outra ouviam o mugido de um bezerro ao longe clamando pela mãe que respondia num tom choroso. Perto da casa marcas de botas de borracha...

2 comentários:

Bruna Presmic disse...

Adorei o conto, escreve com estilo!
Parabéns pelo blog!

juliana coelho disse...

ué, mas termina assim? que coisa esquisita...