segunda-feira, 2 de junho de 2008

Cachecol Verde




Deu duas voltas no cachecol verde em torno do pescoço para pensar melhor, mesmo sendo inverno o ar condicionado da sala estava ligado e os menos prevenidos estavam com as faces marcadas pelo frio. Quase se ouvia o tilintar dos dentes. “Atualmente existem equipamentos capazes de produzir imagens de 16 milhões de cores. Nossa percepção, no entanto, não registra todos estes tons... ", diante dessa afirmação ela era capaz de registrar bem mais do que cores ao lembrar do sábado à tarde; havia os cheiros, as curvas dos corpos e o mais importante, a sensação da pele sob suas mãos. Precisava concentrar-se, de alguma maneira, voltou a questão: “... assim como sequer temos nomes para todas elas. No jornal a impressão colorida é sempre o resultado...”. O resultado não é exatamente o que se procura, exatamente porque um resultado supõe-se algo lógico, direto e objetivo, e as reações adversas, depois de uma boa tarde de sexo, podem diferir tanto quanto as dezesseis milhões de cores como, por exemplo, desconcentração em nível elevado nas próximas vinte e quatro horas. “...de uma base formada por pigmentos de cores primárias. As cores que determinam todas...”, parece um exagero esperar-se determinar todas as nuances fosse do que fosse, ai estas provas pretensiosas, “...na impressão das imagens coloridas são:” Agora era o veredicto final, relembrava palavras soltas no enunciado, cores, todas as nuances, milhões, jornal, primárias, aí está a resposta, primário era entregar essa prova o quanto antes e voltar correndo para debaixo do edredom desnuda. Entreleçar seus braços e pernas no corpo dela, falar baixinho, puxar as mãos para junto dos seus mamilos, dizer que gosta dela assim, nua, com cheiro de domingo chuvoso.

5 comentários:

Carol disse...

certas coincidências até me dão medo.
ganhei um cachecol verde no sábado.

criticaconstrutiva disse...

bacana seu blog!
vamos tc no MSN?
falecomowallace@hotmail.com
;)

Comentarista Abalizado disse...

O final do texto faz pressupor que só uma das duas era atarefada? Que, enquanto uma precisava estar presente num compromisso formal, a outra aguardava nua, com cheiro de domingo chuvoso?

Nada justo!

E sobre o conteúdo sobre as cores...um dia aqueles ensinamentos fariam falta à mocinha que voltava seus pensamentos aos prazeres do sexo.

Pobre do sujeito que ensinava, terá que repetir mais uma vez...

Thaís disse...

'Mas ela toda... toda colorida'.
Eu fico com os cheiros, as espessuras, os sabores, os sons, com o tempo lá fora.
(Tudo extra-sensorial)
bjo

Analuka disse...

Hummmm! Delicioso!!! Beijos pintados.