quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma longa história: última chance


Pois se o prenúncio era anunciado, nada como me preparar nesse momento de aceitação. Não sem antes uma segunda tentativa nada digna, fiz a cena completa, comecei falando que isso não era jeito de fazer as coisas tomando a decisão e só depois me avisando, e com todas as novidades culturais e dificuldades que encontraria por lá cercada por deusas negras altíssimas carregando seus pertences na cabeça ela ia acabar se encantando por alguém. E eu aqui no Rio de Janeiro com o apartamento cheio de lembranças nossas, com seus livros de medicina me bisbilhotando lá do alto da estante. Era jogo sujo, eu sabia. E quem se importa?! Além do que provavelmente a gente só se veria através do computador, isso quando ela conseguisse conexão e a internet aqui de casa resolvesse funcionar direito. Sim, ela se solidarizou com a parte triste da história, afinal essa era a parte triste e nos consolamos um bocado entre beijos e afagos. Mesmo assim no meio da noite me restou ir ao banheiro e chorar baixinho atrás da porta.

6 comentários:

carol disse...

"prenuncio era anunciado"

muito bom!!

Nina Schunk disse...

Ler teu blog é como espiar a janela do teu quarto, muita intimidade em linhas, é preciso coragem... parabéns.

nacasadamaejoana@blogspot.com

Carolina Fernandes Nalon disse...

Volta Naomi.Já é fevereiro.

Karol disse...

Os livros, mesmo que os acadêmicos, são as melhores/piores lembranças, pois não há nada mais pessoal do que uma anotação no canto da página, com a letra dela, o cheiro dela. aiaiai

Cliceli A.Kovalski disse...

re4alidade ou cro5nicas? estilo diário? ... visite-me : http://www.personalidadeinfiel.blogspot.com.br/

NDORETTO disse...



( Eu gosto da sua literatura. Íntima e Cotidiana. Carregada de lirismo. Prazerosa. Leitura tem que ser assim: dar uma coisa boa dentro da gente. )