sexta-feira, 2 de junho de 2006

Monstro

contribuição de Renata Koury,

O monstro gosta sabotar tudo que é novo.
É mal criado, indecente e mal humorado.
Provoca pelo prazer de ver sangrar emoções alheias.
Tudo presta atenção, tudo critica, tudo destrói.
O monstro não depila as pernas, arranca os cabelos, fere a si mesmo.
Não sabe o que quer, quer muito, quer nada.
O monstro mente a si mesmo, e fala as verdades escondidas no medo alheio.
É mulher, homem, bicho, Deus.
O monstro pinta os lábios, pinta os cabelos, passa creme na cara.
Quer mudar, se mudar, mudar o mundo.
O monstro quer ser bela.
Encantar, se apaixonar, mas só sabe ser monstro.
Suas víceras são profundas, estranhas, profanas.
Feridas que transformaram, transtornaram seus medos em escuro.
O monstro é cego, cético, cínico.
Gosta dramas, confusão, inércia.
Preso em si mesmo, o monstro chora...
Porque se amar, se se entregar, pode morrer...
Vive de passado, de tristeza, de solidão.
É vingativo, odeia, resiste.
O monstro inventa.
Criatura desgovernada, desconhecida, ignorada, em mim reside.
O monstro gosta seduzir, gosta assustar, frustrar.
Monstruação, todo mês, visita minhas pernas, revira minhas entranhas, me mata um pouco.
Uma vez, furiosa, me revoltei...
Encarei de frente, comi um homem, vivo, entre as pernas, bebi seu sêmem, com vontade, sem pensar, louca de desejo, sem barreiras, desgovernada...
Fiquei doente, azul, gorda, tão gorda que não coube mais em mim, e de repente, quebrei as regras: doendo, rasgando, aos berros, envolta em sangue, fiz vida!

2 comentários:

xiclet disse...

O.o

familiar..
tb tenho mto de monstro, acredita..

Anônimo disse...

Ia dizer o mesmo.
Tenho mostros em mim.