quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

O convite


Para que a pressa?
Não respondi.
Ela está em casa, mora só.
Olhei incrédula e não respondi de novo.
Faz anos as filhas se foram e o marido morreu.
Reagi como pude.
Queria vê-la ainda hoje.
Eu te ajudo, vamos.
Lado a lado me protegi junto ao seu guarda chuva. Caminhamos caladas pelos paralelepípedos, eu pensava no que diria, no que faria depois do olhar, da voz retumbando na minha cabeça.
É noite ainda, e o barulho da água pingando das plantas é o que ouço no jardim frente a sua casa. Caminho com cuidado, devagar esbarrando em folhas e amarfanhando a terra, destino e fim à poucos passos. Levo a mão ao interruptor e a porta se abre antes que eu sinalize a minha chegada. Ela, coroada pelo vão da porta e nua por debaixo de um roupão, me sorri como quem diz te esperava.

2 comentários:

geraldo disse...

È incrivel como você faz as coisas não parecerem vulgar, simplesmente excitantes...
Bju

cacau segobia disse...

Oi minha querida, estive por aqui, faz tempo hein... está lindo te blog, como sempre... beijos, minha devassa predileta. Cacau